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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Às seis da tarde


Ás seis da tarde 
as mulheres 
choravam no banheiro. 


Não choravam por isso 
ou por aquilo 
choravam porque o pranto subia 
garganta acima 
mesmo se os filhos cresciam 
com boa saúde 
se havia comida no fogo 
e se o marido lhes dava 
do bom 
e do melhor 

choravam porque no céu 
além do basculante 
o dia se punha 
porque uma ânsia 
uma dor 
uma gastura 
era só o que sobrava 
dos seus sonhos. 

Agora 
às seis da tarde 
as mulheres regressam do trabalho 
o dia se põe 
os filhos crescem 
o fogo espera 
e elas não podem 
não querem 
chorar na condução

(Marina Colassanti)



Lindíssimo este texto da Marina.