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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Quero um dia pra chorar



Quero um dia para chorar.
Mas a vida vai tão depressa!
Não é preciso deixar contida a tristeza,
para que a vida, que acaba quando mal começa,
tenha tempo de se acabar.
(...)
Não quero a esperança partida, nem nada de quanto regressa.
Quero um dia para chorar.
Quero um dia para chorar.
Dia de desprender-me dessa aventura mal entendida
sobre os espelhos sem saída em que jaz a minha face impressa.
Chorar sem protesto.
Chorar.


(Cecília Meireles)

Triste, porém muito belo...


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sorry?

Encontrei neste texto de Clarissa, um desabafo tão humano, 
tão "parecido com  todos nós", que resolvi postar.
Vejam, que texto maravilhoso:





A gente deve olhar para a própria vida e para os nossos erros 
antes de sair por aí dizendo coisas inacreditáveis sobre os outros. 
Por favor, me respeite. 


Nem sempre eu me respeitei. 
Muitas vezes me passei a perna, puxei meu próprio tapete, 
esqueci de mim e de tudo que eu queria, me maltratei. 
Muitas vezes me machuquei de propósito, 
me fiz sofrer gratuitamente. 
E me arrependo. Me arrependo, sim. 


Me arrependo, mesmo. 

Já me pedi desculpa, já me perdoei, 
(...) 
não adianta a gente bater com a cabeça na parede e se ferir,
a gente tem que se perdoar. 
Então, me perdoei.



Posso pedir uma coisa para você? 
Me perdoe também. 
Desculpa se às vezes falo sem pensar, 
se vomito as coisas de uma forma boba, 
se sou criançola, mimada e estúpida, 
se sou tão cabeça-dura a ponto de ficar cegueta. 

Desculpa se às vezes fico surtada e emburrada. 
Desculpa se meu orgulho é um dos meus piores defeitos. 
Desculpa se tenho um lado crítico bem forte. 
(...) 
Desculpa se nem sempre eu sou doce. 
Desculpa se muitas vezes eu faço birra 
como se tivesse 5 anos de idade. 
Desculpa se eu não sou uma pessoa tão boa assim. 

Desculpa, desculpa mesmo. 
(...)
Desculpa por ter os defeitos que os seres humanos têm 
- e eu não gosto.


Trecho de: "Sobre a minha síndrome"


(Clarissa Corrêa)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Tempo



Invernos, impérios, mistérios,
lembranças, cobranças, vinganças
assim como a dor que fere o peito, 
isso vai passar, 
também.

E todo medo, desespero e a alegria
e a tempestade, a falsidade, a calmaria
e os teus espinhos
e o frio que eu sinto,
isso vai passar, 
também.



Saudades, vaidades, verdades,
coragem, miragens e a imagem no espelho,
como a dor que fere o peito,
isso vai passar,
também.

(Sandy Leah)






sábado, 13 de agosto de 2011

Agora não





“…To tão feliz, tão leve… 

Vou deixar pra ficar triste outra hora. Agora não. “
      

(Caio Fernando Abreu)



segunda-feira, 8 de agosto de 2011




Que o sol já vem

E com ele outro dia...


(Vanessa da Mata)





sábado, 23 de julho de 2011

Abandono (Flora Figueiredo)


A vida ficou de repente
apática e desinteressada,
como se pretendesse descer na próxima parada.

Abafou os sons que costumava ouvir,
com medo de sentir saudade.

Baixou os toldos sobre a claridade,
para que o brilho do dia
não arranhasse a solidão.

Preferia permanecer quieta e sombria.

Guardou o açucar como se quisesse
impedir o doce
de mesclar o fel que, porventura , houvesse.

Sensações e sentimentos devidamente amordaçados,
rabiscou no papel seu breve recado:

"Saí para almoço.
Pretendo voltar, não sei se posso.
Seja, por favor, condescendente.
Quando o amor não está,
é costume da vida suspender o expediente."


(Flora Figueiredo)





sexta-feira, 22 de julho de 2011

Às seis da tarde


Ás seis da tarde 
as mulheres 
choravam no banheiro. 


Não choravam por isso 
ou por aquilo 
choravam porque o pranto subia 
garganta acima 
mesmo se os filhos cresciam 
com boa saúde 
se havia comida no fogo 
e se o marido lhes dava 
do bom 
e do melhor 

choravam porque no céu 
além do basculante 
o dia se punha 
porque uma ânsia 
uma dor 
uma gastura 
era só o que sobrava 
dos seus sonhos. 

Agora 
às seis da tarde 
as mulheres regressam do trabalho 
o dia se põe 
os filhos crescem 
o fogo espera 
e elas não podem 
não querem 
chorar na condução

(Marina Colassanti)



Lindíssimo este texto da Marina. 





quarta-feira, 20 de julho de 2011

Faça luz onde há involução



"Não me acerte


Não me cerque


Me dê absolvição


Faça luz onde há involução"




Belo trecho da música de Vanessa da Mata que traduz 
o lado traiçoeiro das palavras. 


Escritas, ou faladas,  as palavras ganham 
vida própria e saem voando por ai, 
passeando pela imaginação fértil de quem lê 
nas entrelinhas o avesso das ideias.






terça-feira, 19 de julho de 2011

Sobre as cartas de amor (Clarissa Corrêa)





Dizem que quem fica apaixonado se transforma. 
Pisa nas nuvens, borboletinhas invadem o estômago, 
o coração fica com um sorriso de orelha a orelha, 
o mundo se torna um lugar mais bonito 
e todas as músicas parecem fazer algum sentido. 

Eu concordo.



Esses dias reli uma carta que mandei. 
Era uma carta extensa, que falava dos meus desejos e medos. 
É tão bom quando a gente se livra de qualquer tipo de armadura 
e resolve escutar somente o coração. 
A gente nasce livre, sem qualquer escudo e aos poucos, 
depois das cacetadas da vida, vamos ficando duros. 
Isso me entristece um pouco. 
Sei que faz parte, mas não deixo de ficar triste.



Percebo que as pessoas estão cada vez mais medrosas. 
Guardam o que sentem. 
Se escondem atrás de palavras, atitudes e sentimentos. 
Mostram uma outra pessoa, uma verdade inventada, 
uma pessoa inexistente. 
Pra quê? O objetivo não é ter relações verdadeiras? 
O grande barato da vida não é ter alguém 
pra dividir cada coisinha boa e chata?




Tolos, mostram uma coisa que não são 
e acabam perdendo muito por isso. 
Porque a gente não deve ter a menor vergonha de ser quem é. 
E nem ter medo de mostrar nossos sentimentos mais bonitos.

(Clarissa Corrêa)



Escrevi a minha primeira carta de amor, 
de amor mesmo, em 2005.
Logo eu, tão contida, tão cheia de inseguranças, 
me atirei no misterioso e encantador "precipício" chamado: 
"dizer-o-que-eu-sinto".
Foi uma das melhores decisões que tomei.
Por um pouco de orgulho, por sensatez em excesso,
por medo de encarar o reflexo das minhas emoções 
no espelho e de deixar fluir as palavras e sentimentos... 
por muito pouco,
quase deixei escapar o homem da minha vida.


Ainda bem que (não) fui tola.


" A gente não deve ter a menor vergonha de ser quem é. 
E nem ter medo de mostrar nossos sentimentos mais bonitos."



quarta-feira, 13 de julho de 2011

Não é não


Não é não.

E não adianta você querer que ele vire um sim. 


(Clarissa Corrêa)







segunda-feira, 11 de julho de 2011

Mapa-múndi



Me escreva uma carta sem remetente

Só o necessário e se está contente

Tente lembrar quais eram os planos
Se nada mudou com o passar dos anos
E me pergunte o que será do nosso amor?
Descreva pra mim sua latitude

Que eu tento te achar no mapa-múndi

Ponha um pouco de delicadeza
No que escrever 
e onde quer que me esqueças
E eu te pergunto o que será do nosso amor?

(Thiago Pethit)



domingo, 10 de julho de 2011

Vestido velho




Como quando se tira um vestido velho do baú,

um vestido que não é para usar,

só para olhar.

Só para ver como ele era.

Depois a gente dobra de novo e guarda

mas não se cogita em jogar fora ou dar.


Acho que saudade é isso.


(Lygia F. Telles)





S.O.S



Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça...



(Caio F. Abreu)





Fé em pé



Não é raro, tropeço e caio.

Às vezes, tombo feio de ralar o coração todinho.



Claro que dói, mas tem uma coisa:


a minha fé continua em pé.


(Ana Jácomo)




terça-feira, 5 de julho de 2011

Atelofobia


O medo da imperfeição, de não ser o bastante.





segunda-feira, 4 de julho de 2011

Neuroses




“Selecionei as neuroses mais comuns

e que podem nos levar além da fronteira convencionada:



Necessidade neurótica de agradar os outros.

Necessidade neurótica de poder.

Necessidade neurótica de explorar os outros.

Necessidade neurótica de realização pessoal.

Necessidade neurótica de despertar piedade.

Necessidade neurótica de perfeição e inatacabilidade.

Necessidade neurótica de um parceiro 

que se encarregue da sua vida...”



(Lygia F. Telles)





domingo, 3 de julho de 2011

Chaga antiga


 Ai daquelesque deixaram que a mágoa novavirasse chaga antiga... Paulo Leminskihttp://meme.yahoo.com/biahsantana/originals/


Ai daqueles

que deixaram que a mágoa nova

virasse chaga antiga...

(Paulo Leminski)

Uma palavra

Procuro uma palavra que me salve...  Pode ser uma palavra dura. Sem carinho. Ou palavra muda, molhada de suor no esforço da terra não lavrada. (...)Uma palavra como um porto, um mar, um prado... Viviane Moséhttp://meme.yahoo.com/biahsantana/originals/

Procuro uma palavra que me salve...
Pode ser uma palavra dura. 
Sem carinho.
Ou palavra muda,molhada de suor 
no esforço da terra não lavrada.(...)
Uma palavra como um porto,
um mar, um prado...


(Viviane Mosé)