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domingo, 23 de outubro de 2011

Vai


“Se tiver que ir, vai. 
O que fica para trás, não sendo mentira, não racha, 
não rompe, não cai. Ninguém tira. 
Já que vai, segue se depurando pelo trajeto, 
para desembarcar passado a limpo, 
sem máscara, sem nada, sem nenhum desafeto. 
Quando chegar, sobe ao ponto mais alto do lugar, 
onde a encosta do mundo faz a curva mais pendente. 
E então acena. 
De onde estiver, 
quero enxergar esse momento 
em que você vai constatar 
que a vida vale grandemente a pena.”

(Flora Figueiredo)



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Fragílimo...



Está faltando só um pedacinho de noite
 pra me fazer chorar.


Quando ela entrar
com seu passo manso e mudo,
libero a lágrima, reconsidero tudo.
Vou te buscar.

(Flora Figueiredo)




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Felicidade...





Se eu pudesse congelar o tempo, 
escolheria este momento, 

exatamente agora,
nesta pouca hora
de uma Quarta feira.
O gerânio novo
enfeitando a prateleira,
o riso de criança
brilhando lá fora.
O livro aberto
no lugar certo, 
que simplesmente diz:
“Eu não tenho nada,
mas rouxinóis gorgolejam versos na calçada”
É assim que se começa a ser feliz.

(Flora Figueiredo)

sábado, 23 de julho de 2011

Abandono (Flora Figueiredo)


A vida ficou de repente
apática e desinteressada,
como se pretendesse descer na próxima parada.

Abafou os sons que costumava ouvir,
com medo de sentir saudade.

Baixou os toldos sobre a claridade,
para que o brilho do dia
não arranhasse a solidão.

Preferia permanecer quieta e sombria.

Guardou o açucar como se quisesse
impedir o doce
de mesclar o fel que, porventura , houvesse.

Sensações e sentimentos devidamente amordaçados,
rabiscou no papel seu breve recado:

"Saí para almoço.
Pretendo voltar, não sei se posso.
Seja, por favor, condescendente.
Quando o amor não está,
é costume da vida suspender o expediente."


(Flora Figueiredo)





sexta-feira, 22 de julho de 2011

A pedidos


Querem um verso,
mas não sou capaz.


Vejo a palavra fraturar
as entrelinhas,
tento soldá-las,
mas não são minhas.


Rompeu-se o verbo
e me deixou pra trás.


(Flora Figueiredo)


domingo, 3 de julho de 2011

Flores ao futuro

 Ficamos assim: você joga as queixas no telhado, eu ponho as manias de lado, você lava a escadaria, eu rego o jardim. Podemos varrer juntos as nódoas secas aderentes ao passado. Se você se habilita, eu me disponho, num desafio à desdita. Você acende a luz, eu desempeno o sonho, enquanto você ensaia o passo, eu troco a fita. Na mesa torta, a toalha colorida. O resto é fácil: basta mandar flores ao futuro, derrubar o muro e acreditar na vida.  Flora Figueiredo

Ficamos assim: você joga as queixas no telhado, 
eu ponho as manias de lado, 
você lava a escadaria, 
eu rego o jardim. 
Podemos varrer juntos 
as nódoas secas aderentes ao passado. 
Se você se habilita, eu me disponho, 
num desafio à desdita. 
Você acende a luz, 
eu desempeno o sonho, 
enquanto você ensaia o passo, 
eu troco a fita. 
Na mesa torta, a toalha colorida. 
O resto é fácil: 
basta mandar flores ao futuro, 
derrubar o muro e 
acreditar na vida.

(Flora Figueiredo)