sábado, 30 de julho de 2011

João de Barro




O meu desafio é andar sozinho
Esperar no tempo os nossos destinos
Não olhar pra trás, esperar a paz
O que me traz
A ausência do seu olhar

Traz nas asas um novo dia
Me ensina a caminhar
Mesmo eu sendo menino aprendi

Oh meu Deus me traz de volta essa menina
Porque tudo que eu tenho é o seu amor
João de Barro eu te entendo agora
Por favor me ensine como guardar meu amor

(Leandro Léo e Rafael Portugal)

Descobri hoje esta canção, através da minha irmã mais nova. 
Ela ama esta música. 
Achei bonitinha e resolvi postá-la.

Esconderijo



Tem dias que é preciso vestir a roupa de adulto e atravessar a rua segurando bem forte a mão da vida. Não dá para se esconder ou fugir. Defino assim: crianças fogem, adultos encaram. Criança foge do escuro e acende a luz. Foge do medo e pula no colo da mãe. Foge do castigo e mostra a língua para o irmão, implicando. Adulto tem que encarar, a gente aprende desde cedo que fugir é feio, ruim. Fugir é infantil. Por isso, todo adulto é forçado a aguentar, dormir, acordar e continuar.

Acho que todo mundo precisa de esconderijo. Não fujo, mas vezenquando me escondo porque preciso da minha paz, preciso ler minhas frases silenciosas. Palavra pra mim é a coisa mais séria e bonita que existe. Preciso delas ao meu lado, sublinhadas. Tenho esse lado infantil de correr para o colo da mãe, acender a luz do corredor e não caminhar no escuro. Gosto da luz, do mundo claro. Em compensação, amo noites e estrelas.

Trecho de "Meu lado que sente frio"


(Clarissa Corrêa)







sexta-feira, 29 de julho de 2011

Primavera



A primavera chegará, 
mesmo que ninguém mais saiba seu nome, 
nem acredite no calendário, 
nem possua jardim para recebê-la. 

(Cecília Meireles)


Lindo... lindo... lindo...

Sono



Pega esse meu ombro


Rega, se adormecer 
eu sei que o sono 
passou a perna
nessa distância férrea
que marcou...

(Djavan)

Trecho da música "Mal de mim", de Djavan.
O amor, sempre ele, neste caso simulando o sono...
Linda música.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Bem entendido


Pra vc que é uma:

Mulher que ajuda a humanidade...

vai este post com todo o meu carinho!

Biah

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Vôo


Alheias e nossas as palavras voam. 
Bando de borboletas multicores, as palavras voam 
Bando azul de andorinhas, bando de gaivotas brancas, 
as palavras voam. 
Voam as palavras como águias imensas. 
Como escuros morcegos como negros abutres, as palavras voam.

Oh! alto e baixo em círculos e retas acima de nós, 
em redor de nós as palavras voam. 


E às vezes pousam.


(Cecília Meireles)

Cecília Meireles e Roseana Murray: duas poetisas que
 me encantam com o tom fluido e sereno 
- e ao mesmo tempo forte e intenso - 
com que falam da natureza, da vida, da humanidade, da palavra... 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Feliz por nada (Martha Medeiros)


Geralmente, quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, 
é porque engatou um novo amor, 
conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, 
perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. 
Há sempre um porquê. 
Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, 
mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro
se sentir feliz apenas por atingimento de metas. 
Muito melhor é ser feliz por nada.

Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos
oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. 
Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. 
Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. 
Feliz porque você não magoou ninguém hoje. 
Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir 
e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.

Esquece. 

Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.

Feliz por nada, nada mesmo?

Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. 
Essa tal de felicidade inferniza. "Faça isso, faça aquilo". 
A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, 
que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, 
e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. 
Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. 
Não estando "realizado", também. Estando triste, felicíssimo igual. 
Porque felicidade é calma. Consciência. 

É ter talento para aturar o inevitável, 
é tirar algum proveito do imprevisto, 
é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: 
como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? 
Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.

Benditos os que conseguem se deixar em paz. 
Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, 
que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, 
não se punem por não terem sido perfeitos. 
Apenas fazem o melhor que podem.

Se é para ser mestre em alguma coisa, 
então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. 
De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. 
Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. 
Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?

A vida não é um questionário de Proust. 
Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, 
sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. 
Que mania de se autoconhecer. 
Chega de se autoconhecer. 
Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.

Ser feliz por nada talvez seja isso.

(Martha Medeiros)



domingo, 24 de julho de 2011

Sorry

Encontrei neste texto de Clarissa, um desabafo tão humano, 
tão "parecido com  todos nós", que resolvi postar.
Vejam, que texto maravilhoso:





A gente deve olhar para a própria vida e para os nossos erros 
antes de sair por aí dizendo coisas inacreditáveis sobre os outros. 


Por favor, me respeite. 

Nem sempre eu me respeitei. 
Muitas vezes me passei a perna, puxei meu próprio tapete, 
esqueci de mim e de tudo que eu queria, me maltratei. 
Muitas vezes me machuquei de propósito, 
me fiz sofrer gratuitamente. 
E me arrependo. Me arrependo, sim. 


Me arrependo, mesmo. 

Já me pedi desculpa, já me perdoei, 
(...) 
não adianta a gente bater com a cabeça na parede e se ferir,
a gente tem que se perdoar. 
Então, me perdoei.



Posso pedir uma coisa para você? 
Me perdoe também. 
Desculpa se às vezes falo sem pensar, 
se vomito as coisas de uma forma boba, 
se sou criançola, mimada e estúpida, 
se sou tão cabeça-dura a ponto de ficar cegueta. 

Desculpa se às vezes fico surtada e emburrada. 
Desculpa se meu orgulho é um dos meus piores defeitos. 
Desculpa se tenho um lado crítico bem forte. 
(...) 
Desculpa se nem sempre eu sou doce. 
Desculpa se muitas vezes eu faço birra 
como se tivesse 5 anos de idade. 
Desculpa se eu não sou uma pessoa tão boa assim. 

Desculpa, desculpa mesmo. 
(...)
Desculpa por ter os defeitos que os seres humanos têm 
- e eu não gosto.


Trecho de: "Sobre a minha síndrome"


(Clarissa Corrêa)


Continuar é uma arte. E superar também.



Às vezes é preciso parar por alguns dias, organizar as gavetas, 
jogar fora certas lembranças, enterrar algumas memórias, 
respirar fundo e continuar. 

Porque se sentir mal faz parte, 
assim como se sentir plenamente vivo. 
É preciso parar, reconsiderar os caminhos, 
rever as atitudes, planejar tudo de novo e seguir em frente. 

Continuar é uma arte. 
E superar também. 
Portanto permita-se parar. 
Mudar os planos, tentar algo novo 
ou simplesmente sonhar.

(Ana Paula Fernandes)



Mais uma vez






Queria me apaixonar de novo

e mais uma vez por você


nada diferente de tudo que já tive

nem de mais ou de menos, mas exato

como nosso tempo no espaço

como os abraços que nunca se desfizeram

e os beijos não terminados(...).


(Cáh Morandi)




sábado, 23 de julho de 2011

Abandono (Flora Figueiredo)


A vida ficou de repente
apática e desinteressada,
como se pretendesse descer na próxima parada.

Abafou os sons que costumava ouvir,
com medo de sentir saudade.

Baixou os toldos sobre a claridade,
para que o brilho do dia
não arranhasse a solidão.

Preferia permanecer quieta e sombria.

Guardou o açucar como se quisesse
impedir o doce
de mesclar o fel que, porventura , houvesse.

Sensações e sentimentos devidamente amordaçados,
rabiscou no papel seu breve recado:

"Saí para almoço.
Pretendo voltar, não sei se posso.
Seja, por favor, condescendente.
Quando o amor não está,
é costume da vida suspender o expediente."


(Flora Figueiredo)





Tudo (Alanis Morissette)


Amo este clipe!

Fidelity


Bela música, 

belo clipe.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A pedidos


Querem um verso,
mas não sou capaz.


Vejo a palavra fraturar
as entrelinhas,
tento soldá-las,
mas não são minhas.


Rompeu-se o verbo
e me deixou pra trás.


(Flora Figueiredo)


Aprender a olhar



Houve um tempo em que minha janela se abria 
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. 
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. 
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, 
e o jardim parecia morto. 


Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, 
e, em silêncio, ia atirando com a mão 
umas gotas de água sobre as plantas. 
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual,
 para que o jardim não morresse. 

E eu olhava para as plantas, para o homem, 
para as gotas de água que caíam de seus dedos magros 
e meu coração ficava completamente feliz. 

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. 
Outras vezes encontro nuvens espessas. 
Avisto crianças que vão para a escola. 
Pardais que pulam pelo muro. 
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. 
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. 
Marimbondos que sempre me parecem 
personagens de Lope de Vega. 
Ás vezes, um galo canta. 
Às vezes, um avião passa. 

Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. 
E eu me sinto completamente feliz. 

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, 
que estão diante de cada janela, 
uns dizem que essas coisas não existem, 
outros que só existem diante das minhas janelas, 
e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, 
para poder vê-las assim. 

(Cecília Meireles)

(Este texto de Cecília dedico à minha amiga Ell, 
que com toda a sua maturidade - 85 anos-
que me ensinou a "olhar e ver"... Amo-te muito, amiga)


Às seis da tarde


Ás seis da tarde 
as mulheres 
choravam no banheiro. 


Não choravam por isso 
ou por aquilo 
choravam porque o pranto subia 
garganta acima 
mesmo se os filhos cresciam 
com boa saúde 
se havia comida no fogo 
e se o marido lhes dava 
do bom 
e do melhor 

choravam porque no céu 
além do basculante 
o dia se punha 
porque uma ânsia 
uma dor 
uma gastura 
era só o que sobrava 
dos seus sonhos. 

Agora 
às seis da tarde 
as mulheres regressam do trabalho 
o dia se põe 
os filhos crescem 
o fogo espera 
e elas não podem 
não querem 
chorar na condução

(Marina Colassanti)



Lindíssimo este texto da Marina. 





Eduardo e Mônica





A história de amor mais cantada do Brasil virou filme.



Direção: Nando Olival 



Produção: O2 Filmes / Criação: Agência Africa / 


Realização: Vivo





quinta-feira, 21 de julho de 2011

The only exception



"And I'm on my way to believing..."


Clipe da Vanessa


Clipe belíssimo dirigido por Wagner Moura, 

com performance da bailarina Marilena Ansaldi.

Amo esta música!




Mas o pior não é não conseguir
É desistir de tentar
Não acredite no que eles dizem
Perceba o medo de amar
Eu cresci ouvindo anedotas, clichês e chacotas
Frustrações
Sobre amasiar, se casar
Se entregar seria fraquejar

Te amo, te amo, te amo

E se o tempo levar você
E um dia eu te olhar e não te reconhecer
E se o romance se desconstruir
Perder o sentido
E eu me esquecer por ai
Mas nós somos um quadro de Klint
"O Beijo" para sempre fagulhando em cores
Resistindo a tudo seremos
Dois velhos felizes
De mãos dadas numa tarde de sol
Pra sempre

Te amo, te amo, te amo






quarta-feira, 20 de julho de 2011

Faça luz onde há involução



"Não me acerte


Não me cerque


Me dê absolvição


Faça luz onde há involução"




Belo trecho da música de Vanessa da Mata que traduz 
o lado traiçoeiro das palavras. 


Escritas, ou faladas,  as palavras ganham 
vida própria e saem voando por ai, 
passeando pela imaginação fértil de quem lê 
nas entrelinhas o avesso das ideias.






terça-feira, 19 de julho de 2011

Sobre as cartas de amor (Clarissa Corrêa)





Dizem que quem fica apaixonado se transforma. 
Pisa nas nuvens, borboletinhas invadem o estômago, 
o coração fica com um sorriso de orelha a orelha, 
o mundo se torna um lugar mais bonito 
e todas as músicas parecem fazer algum sentido. 

Eu concordo.



Esses dias reli uma carta que mandei. 
Era uma carta extensa, que falava dos meus desejos e medos. 
É tão bom quando a gente se livra de qualquer tipo de armadura 
e resolve escutar somente o coração. 
A gente nasce livre, sem qualquer escudo e aos poucos, 
depois das cacetadas da vida, vamos ficando duros. 
Isso me entristece um pouco. 
Sei que faz parte, mas não deixo de ficar triste.



Percebo que as pessoas estão cada vez mais medrosas. 
Guardam o que sentem. 
Se escondem atrás de palavras, atitudes e sentimentos. 
Mostram uma outra pessoa, uma verdade inventada, 
uma pessoa inexistente. 
Pra quê? O objetivo não é ter relações verdadeiras? 
O grande barato da vida não é ter alguém 
pra dividir cada coisinha boa e chata?




Tolos, mostram uma coisa que não são 
e acabam perdendo muito por isso. 
Porque a gente não deve ter a menor vergonha de ser quem é. 
E nem ter medo de mostrar nossos sentimentos mais bonitos.

(Clarissa Corrêa)



Escrevi a minha primeira carta de amor, 
de amor mesmo, em 2005.
Logo eu, tão contida, tão cheia de inseguranças, 
me atirei no misterioso e encantador "precipício" chamado: 
"dizer-o-que-eu-sinto".
Foi uma das melhores decisões que tomei.
Por um pouco de orgulho, por sensatez em excesso,
por medo de encarar o reflexo das minhas emoções 
no espelho e de deixar fluir as palavras e sentimentos... 
por muito pouco,
quase deixei escapar o homem da minha vida.


Ainda bem que (não) fui tola.


" A gente não deve ter a menor vergonha de ser quem é. 
E nem ter medo de mostrar nossos sentimentos mais bonitos."