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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Silêncio


ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silêncio
comigo


(Paulo Leminski)

Brilho




Acredito no seguinte: 
o olho das pessoas que gostam de você 
sempre vai brilhar quando alguma coisa boa te acontece.

(Clarissa Corrêa)


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Momentos simples



Você pode ir embora e nunca mais ser a mesma.
Você pode voltar e nada ser como antes.
Você pode até ficar, pra que nada mude, 
Mas aí é você que não vai se conformar com isso.
Você pode sofrer por perder alguém.
Você pode até lembrar com carinho ou orgulho 
de algum momento importante na sua vida: 
formatura, casamento, aprovação no vestibular
ou a festa mais linda que já tenha ido, 


mas o que vai te fazer falta mesmo,
o que vai doer bem fundo, 
é a saudade dos momentos simples:
Da sua mãe te chamando pra acordar,
Do seu pai te levando pela mão,
Dos desenhos animados com seu irmão,
Do caminho pra casa com os amigos e a diversão natural
Do cheiro que você sentia naquele abraço,
Da hora certinha em que ele sempre aparecia pra te ver,
E como ele te olhava 
com aquela cara de coitado pra te derreter.


De qualquer forma, não esqueça das seguintes verdades:
Não faça nada que não te deixe em paz consigo mesma;
Cuidado com o que anda desabafando;
Conte até três (tá certo, se precisar, conte mais);
Antes só do que muito acompanhado;
Esperar não significa inércia, muito menos desinteresse;
Renunciar não quer dizer que não ame;
Abrir mão não quer dizer que não queira;
O tempo ensina, mas não cura.


(Martha Medeiros)



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Canção de inverno



"Winter song"


Sara Bareilles e Ingrid Michaelson



Uma doçura de música, uma doçura de clipe.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Pessoa rica




“Tenho amigos tão bonitos. 

Ninguém suspeita, mas sou uma pessoa muito rica.”


(Caio Fernando Abreu)


sábado, 6 de agosto de 2011

Chamado silencioso




“Não gosto que me peçam para ser boa, 
não me peçam nada, mesmo aquilo que eu posso dar. 
As relações de dependência me assustam. 
Não precisem de mim com hora marcada e por motivo concreto, 
precisem de mim a todo instante, a qualquer hora, 
sei ouvir o chamado silencioso da amizade verdadeira, do amor que não cobra, 
estarei lá sem que me vejam, sem que me percebam, 
sem que me avaliem.”

(Martha Medeiros)


Não acredito em relacionamentos alicerçados numa espécie de troca proposital, "dar para receber", ou na chantagem, daquele tipo bem piegas: 
"se ela ou ele me ama irá fazer isso ou aquilo"... 
Acredito na percepção que o amigo tem de que o outro precisa dele. 
Acredito, sim, neste "chamado silencioso" ou conexão inexplicável que existe entre os que se amam.
Não acho que a gente deva ficar implorando migalhas de carinho, 
nem esmolas de atenção das pessoas. 

Concordo com a Martha.
Amor não se pede, não se cobra.



terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ser grata

  

  Andei pensando sobre Amizade e coloquei em maiúsculo porque acho que Amizades são maiúsculas. Uma das coisas que mais valorizo é a gratidão. Se alguém fez algo por você não precisa estender um tapete oscarizado vermelho, não precisa dizer "obrigada" a cada vez que seus olhos encontram os do seu salvador-numa-determinada-fase-da-vida. Amigos, em diversas situações, são Os Salvadores. Os meus são. E eu sou grata.


  Não acredito em quem tem muitos amigos, sempre disse isso. Amigos que são fruto de Amizade não são muitos não, ainda mais hoje em dia. Tenho poucos, valiosos, preciosos. Tenho centenas de conhecidos, gente que eu gosto, gente bacana, gente do bem, mas que não são Amigos. Tenho colegas, ex-colegas. Tenho gente-que-faz-festa-junto. Tenho muita gente ao redor. Amigo que vem de Amizade eu tenho poucos, valiosos, preciosos. E estou completamente satisfeita com eles, como eu disse: são os meus Salvadores. Me livram de enrascadas, dividem comigo os momentos alegres, a gente comemora, ri e chora, seguram a minha onda quando as minhas próprias mãos resolvem optar pela covardia e sair do cenário principal, que é a minha vida. Eles nunca saem do cenário principal, do meu palco, show, espetáculo. E convivem bem com as minhas encenações.


  Os meus amigos sabem o quanto sou grata por eles existirem, serem, permanecerem e conviverem com os meus muitos jeitos. Ninguém é exemplo de perfeição, se fosse assim todos nós teríamos uma estátua nas principais praças das pequenas e grandes cidades e todos seríamos canonizados, santos, puros. A impureza faz parte dos traços de cada um, bem como a pureza. É essa mistura contraditória que torna cada um particularmente interessante, insano, fabuloso, bem-vindo. A gratidão se mostra a partir de gestos, não de palavras. Um abraço traduz um "valeu, amigo". Eu sou fã de abraços, abraços surgem quando me falta o que dizer ou quando o que eu digo se torna minúsculo. Como os meus Amigos são maiúsculos eu os abraço e os levo comigo, sempre. Os meus amigos estão do lado de dentro, de lá não sairão. Sou brava, tomo as dores, não mexam com os meus amigos. Defendo quem eu amo, unhas, dentes, vale tudo. Como sou educada (para a sorte de grande parte da população mundial) não faço escândalo, não puxo cabelo, não dou tapa na cara: mentir para os outros é fácil, mentir para si mesmo é difícil. Uso o polimento, a educação. E falo as verdades. Vocês sabem: ela, a Verdade, dói. Imagina um bando de Verdadezinhas juntas? Hospital na certa. Ou hospício, porque só um louco cutuca os meus amigos.


  Acho feio quem esquece daquele que foi amigo, que deu demonstrações de nunca-vou-te-deixar-sozinho-nem-na-fossa-e-nem-no-brinde. Injusto, ingrato, nada bonito. Perdi alguns pelo caminho, alguns que achei que fossem amigos e mesmo pelos perdidos tenho gratidão. Todo mundo já teve um momento fulaninha-é-muito-minha-amiga e depois rolou o fulaninha-era-eu-achava-eu-pensava-que-era-muito-minha-amiga. Acontece, tenha você quinze, vinte e cinco ou quarenta anos. A gente quebra a cara, se estrepa, derrapa e descobre que não era bem assim, nem tudo era tão azul e tão afetuoso. Mas, mesmo nesses momentos, quando você precisava, a fulaninha foi legal com você. Hoje não se falam, mal sabem uma da outra, mas você lembra daquela vez que estava aflita ou muito feliz e dividiu os sentimentos com aquela que um dia foi e hoje não é, nada mais é, nada mais significa. O gosto? Gratidão, obrigada dona Fulaninha de Tal. Pronto. Seja legal, não esqueça o que fizeram por você.


  Ninguém vive sozinho. Hoje você pode achar que a sua vida está numa boa, que você tem um emprego legal, gente pra rir ao seu lado, casamento marcado e tudo felizinho. Amanhã a coisa muda, o mundo gira e é redondo e nos prega muitas peças. Você não sabe se vai precisar de uma mão estendida. Se bem que ser solidário na merda é facinho, qualquer tristeza alheia desencadeia uma pena, uma vontade de dar colo, por mais coração-de-gelo que você seja. Mas ser legal quando o outro está lindo, loiro e feliz, bom, aí é difícil. Mas quer saber? Amigos conseguem. Eles não têm inveja. Inveja é sentimento ruim, baixo, cinza. Amigos não sentem isso. Os de Verdade. Os Salvadores.


No mais, agradeça por todos que você possui. 
Acredite: Amizades podem ser eternas.

(Clarissa Corrêa)
18 de setembro de 2008









segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Amigos secretos


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na
sagrada relação dos meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que
os amo, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces 
do meu encanto de vida.


Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu oro pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. 

Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, 
compartilhando daquele prazer...


Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez 
nunca vão saber que são meus amigos!
 

(Paula Sant'Ana)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Bem entendido


Pra vc que é uma:

Mulher que ajuda a humanidade...

vai este post com todo o meu carinho!

Biah

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Aprender a olhar



Houve um tempo em que minha janela se abria 
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. 
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. 
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, 
e o jardim parecia morto. 


Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, 
e, em silêncio, ia atirando com a mão 
umas gotas de água sobre as plantas. 
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual,
 para que o jardim não morresse. 

E eu olhava para as plantas, para o homem, 
para as gotas de água que caíam de seus dedos magros 
e meu coração ficava completamente feliz. 

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. 
Outras vezes encontro nuvens espessas. 
Avisto crianças que vão para a escola. 
Pardais que pulam pelo muro. 
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. 
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. 
Marimbondos que sempre me parecem 
personagens de Lope de Vega. 
Ás vezes, um galo canta. 
Às vezes, um avião passa. 

Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. 
E eu me sinto completamente feliz. 

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, 
que estão diante de cada janela, 
uns dizem que essas coisas não existem, 
outros que só existem diante das minhas janelas, 
e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, 
para poder vê-las assim. 

(Cecília Meireles)

(Este texto de Cecília dedico à minha amiga Ell, 
que com toda a sua maturidade - 85 anos-
que me ensinou a "olhar e ver"... Amo-te muito, amiga)


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Se endividar de lembranças



Quando a gente gosta,

a gente começa emprestando um livro,

 depois um casaco, um guarda-chuva, 

até que somos mais emprestados do que devolvidos...


Gostar é não devolver, 


é se endividar de lembranças. 


(Carpinejar)






É... estou, sim, endividada de lembranças, de saudades...
Estou cheia de emendas e pedaços de gente 
que se anexaram ao meu ser, preenchendo os meus vãos. 
Gente de verdade, de carne, osso, lágrimas e coração. 



SOU ALMA REMENDADA.

   

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Não era pra ser desse jeito

Na minha casa se dizia eu te amo o tempo todo: Mãe, me acorda às seis, te amo. Saí pra comprar pão, amo vocês. Desculpa por ter sido grossa, e obrigada por me amarem mesmo assim. O amor estava nas brigas, nas cócegas, nas cantorias na cozinha e em todos os outros espaços da casa. É tão natural que eu saia por aí espalhando amor, dizendo amor, escrevendo e sorrindo amor. Não sei ser contida e pensar mil vezes antes de dizer que gosto de alguém. Até consigo, mas o amor fica querendo sair por cada poro do meu corpo, tornando uma luta desagradável, essa de não dizer. Não era para ser desse jeito. As pessoas não deviam entrar em pânico e sumir ao ouvir que outras se importam, muito pelo contrário: deviam deixá-las mostrar o que são capazes de fazer pra dividir esse carinho.     ((Verônica Heiss))   http://meme.yahoo.com/espumasaovento/originals/


Na minha casa se dizia eu te amo o tempo todo: 
Mãe, me acorda às seis, te amo. 
Saí pra comprar pão, amo vocês. 
Desculpa por ter sido grossa, 
e obrigada por me amarem mesmo assim. 

O amor estava nas brigas, nas cócegas, 
nas cantorias na cozinha 
e em todos os outros espaços da casa. 

É tão natural que eu saia por aí espalhando amor, 
dizendo amor, escrevendo e sorrindo amor. 
Não sei ser contida e pensar mil vezes 
antes de dizer que gosto de alguém. 

Até consigo, mas o amor fica querendo sair
por cada poro do meu corpo, 
tornando uma luta desagradável, 
essa de não dizer. 

Não era para ser desse jeito. 
As pessoas não deviam entrar em pânico 
e sumir ao ouvir que outras se importam, 
muito pelo contrário: 
deviam deixá-las mostrar o que são capazes 
de fazer pra dividir esse carinho.


(Verônica Heiss)


Fonte:


domingo, 10 de julho de 2011

Carpinejar e seu amigo Iragí





Quando entrei na escola, meu amigo inseparável era o Iraji. Eu tinha certeza de que ele seria jogador de futebol. Barbarizava os meninos das 4ª e 5ª séries com balãozinho, janelinha e meia-lua.

Cabelos cacheados, baixinho, franzino: tímido fora de campo, destemido com a bola. Tonteava os adversários com ioiô e elástico. Produziu os lances mais bonitos e plásticos da cancha de concreto da Escola Imperatriz Leopoldina. Como companheiro de ataque, ele me tornou melhor do que realmente sou. Algo como Careca ao lado do Maradona no Nápoli.

A turma o reverenciava como Negrinho do Pastoreio, um capoeirista do meio-campo. Ainda recordo do cheiro do seu uniforme, uma mistura de suor, dois ônibus e cacetinho com manteiga.

Conhecia seu percurso. Nossa aula começava às 13h30min, mas ele estava na esquina às 11h30min, sentado no muro do outro lado da calçada (visionário, antecipou em uma década 

a necessidade de um guardinha de rua).

Eu o enxergava antecipado no horário e o convidava para almoçar. Antes convencia minha mãe, dobrava sua angústia com imprevistos. Ele rebatia que não, que estava satisfeito. Deixava o colega paradinho em seu posto de observação, com a mochila encardida debaixo do braço. Voltava em seguida e perguntava se ele não queria apenas beliscar alguma coisa. 

Ele aceitava e comia dois pratos.

Dia a dia, repetíamos a cena. Reproduzíamos a igual negociação sem tirar nem pôr. Ele chegava antes, eu convidava, não aceitava, reconvidava e vinha louco de apetite. Não quis constrangê-lo com a mudança de costume, ele tampouco 

fez questão de assumir um lugar fixo na mesa.

Nossa convivência durou até que ele rodou de ano. Depois, foi desaparecendo para aquilo que acreditava que seria o sucesso, já que um olheiro passou na escola para vê-lo atuar e ficou assombrado. Saiu do colégio na 5ª série para atuar no infantil do Inter e estudar no contraturno.

A vida e o kichute viviam amarrados em suas canelas.

Na despedida, dei uma camisa do colorado. Ele me abraçou fervorosamente, ainda recordo do cheiro, uma mistura de suor, dois ônibus e cacetinho com geleia. Prometeu que faria o primeiro gol profissional para mim. Eu me guardei na expectativa.

Iraji, Iraji...

Nunca tinha visto alguém vocacionado ao futebol daquele jeito. Conseguia embaixadinha com pedras, pinhas e laranjas. Cabeceava bolinhas de tênis com precisão. 

Seu toque de calcanhar encobria o goleiro.

Cresci, amadureci, formei família,

e não o reencontrei no estádio ou na rua.

Tive notícia de que fraturou a perna numa dividida na categoria de base e não pôde continuar no clube. Logo ele, que depositou sua escolaridade no esporte.

Não digeri as fintas do destino, a crueldade com seu talento.

Depois tive notícia de que trabalhava 

como porteiro no bairro Sarandi.

E descubro que, desde a infância, sua verdadeira profissão é esperar, como a de todos nós. Ele continua me esperando. Continua esperando ser chamado, notado, percebido, amado.

Agora dentro de um prédio.
Ponho mais um prato na mesa, vá que ele mude de ideia e sinta fome da minha amizade. 

(Fabrício Carpinejar)





IRAJI RESPONDE (E DESCUBRO QUE É IRAGÍ)


"Boa tarde!

As verdadeiras amizades são assim: você acha que termina mas quando são verdadeiras, elas voltam, às vezes mais fortes do que antes. O primeiro tijolinho foi posto lá na quadra de areão, depois de concreto do Leopoldina.

Sempre fui colorado. Porém, aquela camisa do Inter que uma vez você me deu, lembro até hoje. Na época o número na camisa era costurado, o 8, é claro do Príncipe Jajá, 

como era chamado o Jair.

Nossa amizade nunca foi esquecida, infância com dificuldades, tudo bem, meus kichutes driblavam com maestria tudo isso.

A felicidade era encontrar todos os dias, você, meu amigo CABELUDO, loiro cabeludo, 

ou meu parceiro Careca do Nápoli do Leopoldina.

Esperar sim, por que não? Para nascermos, demoramos 9 meses. A minha espera demorou. Mas fui notado, homenageado na página 2 da Zero Hora. Pelo amigo, acreditem senhores, bom de bola. Acreditem, bom de bola. 

Quando as amizades realmente são de coração, 
esperar não cansa. 


Tarda para aumentar a saudade.

Deixo aqui um grande abraço para meu amigo que lembro com carinho, e admiração, pelos momentos vividos na minha infância.

Obrigado, Fabrício.

abraços
Iragi ou Maradona (rsrsrs)"
 


Lembrança






Não há sentido: 

melhor escapar deixando uma lembrança qualquer,

lenço esquecido numa gaveta, 

camisa jogada na cadeira, uma fotografia;

qualquer coisa que depois de muito tempo 

a gente possa olhar e sorrir,

mesmo sem saber porquê.

Melhor do que não sobrar nada,

e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.


(Caio F. Abreu)









Casa de amigo...


Na casa do amigo
os móveis flutuam 
a um palmo do chão.

O ar é mais leve: 
em cada recanto 
os pássaros tecem.

Na casa do amigo 
todas as confidências 
são permitidas.

Todas as palavras 
são entendidas 
tão facilmente,
que é como água
falando com água.

Na casa do amigo
o coração se alimenta.



(Roseana Murray)