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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ainda bem que a gente se jogou



A gente tem uma história que é só nossa, 
um amor que é só nosso, 
uma vida que é só nossa, 
uma família que é só nossa. 
Tudo nosso. 

E com você eu descobri que 
sempre posso ir mais além. 
Você me mostra umas partes que eu não conhecia. 
Me mostra uma força que eu não sabia que tinha. 
Um jeito maduro e ao mesmo tempo infantil 
de continuar vendo a vida. 

Me desarma com tanto bom humor. 
Me mostra coisas que não sabia. 
Me puxa para a realidade, 
pois nem só de sonho se vive. 

Existe uma troca bonita e, hoje, mais madura. 

É que já faz mil dias, amor. 
Mil dias que a gente se encontrou 
e nunca mais saiu de perto um do outro. 
Mil dias que ouvi o que você disse 
e me atirei do precipício. 
Ainda bem que a gente se jogou. 

Ainda bem que você esperou por mim. 

E eu por você.

(Clarissa Corrêa)






Hoje faz 365 dias que eu e meu marido


oficializamos a nossa história de perseverante amor.





Can U believe (Robin Thicke)




Música que embalou 
a nossa história durante 5 anos.

Linda demais!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Tempo



Invernos, impérios, mistérios,
lembranças, cobranças, vinganças
assim como a dor que fere o peito, 
isso vai passar, 
também.

E todo medo, desespero e a alegria
e a tempestade, a falsidade, a calmaria
e os teus espinhos
e o frio que eu sinto,
isso vai passar, 
também.



Saudades, vaidades, verdades,
coragem, miragens e a imagem no espelho,
como a dor que fere o peito,
isso vai passar,
também.

(Sandy Leah)






sábado, 6 de agosto de 2011

Arco-íris



Arco-íris no céu.

Está sorrindo o menino 
que há pouco chorou.


(Helena Kolody)



domingo, 24 de julho de 2011

Continuar é uma arte. E superar também.



Às vezes é preciso parar por alguns dias, organizar as gavetas, 
jogar fora certas lembranças, enterrar algumas memórias, 
respirar fundo e continuar. 

Porque se sentir mal faz parte, 
assim como se sentir plenamente vivo. 
É preciso parar, reconsiderar os caminhos, 
rever as atitudes, planejar tudo de novo e seguir em frente. 

Continuar é uma arte. 
E superar também. 
Portanto permita-se parar. 
Mudar os planos, tentar algo novo 
ou simplesmente sonhar.

(Ana Paula Fernandes)



sábado, 23 de julho de 2011

Abandono (Flora Figueiredo)


A vida ficou de repente
apática e desinteressada,
como se pretendesse descer na próxima parada.

Abafou os sons que costumava ouvir,
com medo de sentir saudade.

Baixou os toldos sobre a claridade,
para que o brilho do dia
não arranhasse a solidão.

Preferia permanecer quieta e sombria.

Guardou o açucar como se quisesse
impedir o doce
de mesclar o fel que, porventura , houvesse.

Sensações e sentimentos devidamente amordaçados,
rabiscou no papel seu breve recado:

"Saí para almoço.
Pretendo voltar, não sei se posso.
Seja, por favor, condescendente.
Quando o amor não está,
é costume da vida suspender o expediente."


(Flora Figueiredo)





sexta-feira, 22 de julho de 2011

Às seis da tarde


Ás seis da tarde 
as mulheres 
choravam no banheiro. 


Não choravam por isso 
ou por aquilo 
choravam porque o pranto subia 
garganta acima 
mesmo se os filhos cresciam 
com boa saúde 
se havia comida no fogo 
e se o marido lhes dava 
do bom 
e do melhor 

choravam porque no céu 
além do basculante 
o dia se punha 
porque uma ânsia 
uma dor 
uma gastura 
era só o que sobrava 
dos seus sonhos. 

Agora 
às seis da tarde 
as mulheres regressam do trabalho 
o dia se põe 
os filhos crescem 
o fogo espera 
e elas não podem 
não querem 
chorar na condução

(Marina Colassanti)



Lindíssimo este texto da Marina. 





quarta-feira, 20 de julho de 2011

Faça luz onde há involução



"Não me acerte


Não me cerque


Me dê absolvição


Faça luz onde há involução"




Belo trecho da música de Vanessa da Mata que traduz 
o lado traiçoeiro das palavras. 


Escritas, ou faladas,  as palavras ganham 
vida própria e saem voando por ai, 
passeando pela imaginação fértil de quem lê 
nas entrelinhas o avesso das ideias.






sexta-feira, 15 de julho de 2011

Se endividar de lembranças



Quando a gente gosta,

a gente começa emprestando um livro,

 depois um casaco, um guarda-chuva, 

até que somos mais emprestados do que devolvidos...


Gostar é não devolver, 


é se endividar de lembranças. 


(Carpinejar)






É... estou, sim, endividada de lembranças, de saudades...
Estou cheia de emendas e pedaços de gente 
que se anexaram ao meu ser, preenchendo os meus vãos. 
Gente de verdade, de carne, osso, lágrimas e coração. 



SOU ALMA REMENDADA.

   

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Presente / Passado




Há no presente
sempre
um rastro do passado

o presente constrói
sobre escombros
sobre fumaça
constrói com fogo
e água
pedras gastas e minerais
ainda não descobertos
o presente incerto
que no mesmo instantes
e gasta
e vira passado
mas é com o avesso
que se escreve
com as linhas tortas
das entrelinhas

(Roseana Murray)





segunda-feira, 11 de julho de 2011

Mapa-múndi



Me escreva uma carta sem remetente

Só o necessário e se está contente

Tente lembrar quais eram os planos
Se nada mudou com o passar dos anos
E me pergunte o que será do nosso amor?
Descreva pra mim sua latitude

Que eu tento te achar no mapa-múndi

Ponha um pouco de delicadeza
No que escrever 
e onde quer que me esqueças
E eu te pergunto o que será do nosso amor?

(Thiago Pethit)



domingo, 10 de julho de 2011

Carpinejar e seu amigo Iragí





Quando entrei na escola, meu amigo inseparável era o Iraji. Eu tinha certeza de que ele seria jogador de futebol. Barbarizava os meninos das 4ª e 5ª séries com balãozinho, janelinha e meia-lua.

Cabelos cacheados, baixinho, franzino: tímido fora de campo, destemido com a bola. Tonteava os adversários com ioiô e elástico. Produziu os lances mais bonitos e plásticos da cancha de concreto da Escola Imperatriz Leopoldina. Como companheiro de ataque, ele me tornou melhor do que realmente sou. Algo como Careca ao lado do Maradona no Nápoli.

A turma o reverenciava como Negrinho do Pastoreio, um capoeirista do meio-campo. Ainda recordo do cheiro do seu uniforme, uma mistura de suor, dois ônibus e cacetinho com manteiga.

Conhecia seu percurso. Nossa aula começava às 13h30min, mas ele estava na esquina às 11h30min, sentado no muro do outro lado da calçada (visionário, antecipou em uma década 

a necessidade de um guardinha de rua).

Eu o enxergava antecipado no horário e o convidava para almoçar. Antes convencia minha mãe, dobrava sua angústia com imprevistos. Ele rebatia que não, que estava satisfeito. Deixava o colega paradinho em seu posto de observação, com a mochila encardida debaixo do braço. Voltava em seguida e perguntava se ele não queria apenas beliscar alguma coisa. 

Ele aceitava e comia dois pratos.

Dia a dia, repetíamos a cena. Reproduzíamos a igual negociação sem tirar nem pôr. Ele chegava antes, eu convidava, não aceitava, reconvidava e vinha louco de apetite. Não quis constrangê-lo com a mudança de costume, ele tampouco 

fez questão de assumir um lugar fixo na mesa.

Nossa convivência durou até que ele rodou de ano. Depois, foi desaparecendo para aquilo que acreditava que seria o sucesso, já que um olheiro passou na escola para vê-lo atuar e ficou assombrado. Saiu do colégio na 5ª série para atuar no infantil do Inter e estudar no contraturno.

A vida e o kichute viviam amarrados em suas canelas.

Na despedida, dei uma camisa do colorado. Ele me abraçou fervorosamente, ainda recordo do cheiro, uma mistura de suor, dois ônibus e cacetinho com geleia. Prometeu que faria o primeiro gol profissional para mim. Eu me guardei na expectativa.

Iraji, Iraji...

Nunca tinha visto alguém vocacionado ao futebol daquele jeito. Conseguia embaixadinha com pedras, pinhas e laranjas. Cabeceava bolinhas de tênis com precisão. 

Seu toque de calcanhar encobria o goleiro.

Cresci, amadureci, formei família,

e não o reencontrei no estádio ou na rua.

Tive notícia de que fraturou a perna numa dividida na categoria de base e não pôde continuar no clube. Logo ele, que depositou sua escolaridade no esporte.

Não digeri as fintas do destino, a crueldade com seu talento.

Depois tive notícia de que trabalhava 

como porteiro no bairro Sarandi.

E descubro que, desde a infância, sua verdadeira profissão é esperar, como a de todos nós. Ele continua me esperando. Continua esperando ser chamado, notado, percebido, amado.

Agora dentro de um prédio.
Ponho mais um prato na mesa, vá que ele mude de ideia e sinta fome da minha amizade. 

(Fabrício Carpinejar)





IRAJI RESPONDE (E DESCUBRO QUE É IRAGÍ)


"Boa tarde!

As verdadeiras amizades são assim: você acha que termina mas quando são verdadeiras, elas voltam, às vezes mais fortes do que antes. O primeiro tijolinho foi posto lá na quadra de areão, depois de concreto do Leopoldina.

Sempre fui colorado. Porém, aquela camisa do Inter que uma vez você me deu, lembro até hoje. Na época o número na camisa era costurado, o 8, é claro do Príncipe Jajá, 

como era chamado o Jair.

Nossa amizade nunca foi esquecida, infância com dificuldades, tudo bem, meus kichutes driblavam com maestria tudo isso.

A felicidade era encontrar todos os dias, você, meu amigo CABELUDO, loiro cabeludo, 

ou meu parceiro Careca do Nápoli do Leopoldina.

Esperar sim, por que não? Para nascermos, demoramos 9 meses. A minha espera demorou. Mas fui notado, homenageado na página 2 da Zero Hora. Pelo amigo, acreditem senhores, bom de bola. Acreditem, bom de bola. 

Quando as amizades realmente são de coração, 
esperar não cansa. 


Tarda para aumentar a saudade.

Deixo aqui um grande abraço para meu amigo que lembro com carinho, e admiração, pelos momentos vividos na minha infância.

Obrigado, Fabrício.

abraços
Iragi ou Maradona (rsrsrs)"
 


Vestido velho




Como quando se tira um vestido velho do baú,

um vestido que não é para usar,

só para olhar.

Só para ver como ele era.

Depois a gente dobra de novo e guarda

mas não se cogita em jogar fora ou dar.


Acho que saudade é isso.


(Lygia F. Telles)





Lembrança






Não há sentido: 

melhor escapar deixando uma lembrança qualquer,

lenço esquecido numa gaveta, 

camisa jogada na cadeira, uma fotografia;

qualquer coisa que depois de muito tempo 

a gente possa olhar e sorrir,

mesmo sem saber porquê.

Melhor do que não sobrar nada,

e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.


(Caio F. Abreu)









Antes de ser


Não me lembro mais qual foi nosso começo.

Sei que não começamos pelo começo.

Já era amor antes de ser.

(Clarice Lispector)



A dor ensina



Dor não tem nada a ver com amargura.

Acho que tudo que acontece

é feito pra gente aprender cada vez mais,

é pra ensinar a gente a viver.


(Adélia Prado)