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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Coisas leves


No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...



(Mário Quintana)




quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Brilho




Acredito no seguinte: 
o olho das pessoas que gostam de você 
sempre vai brilhar quando alguma coisa boa te acontece.

(Clarissa Corrêa)


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Felicidade...





Se eu pudesse congelar o tempo, 
escolheria este momento, 

exatamente agora,
nesta pouca hora
de uma Quarta feira.
O gerânio novo
enfeitando a prateleira,
o riso de criança
brilhando lá fora.
O livro aberto
no lugar certo, 
que simplesmente diz:
“Eu não tenho nada,
mas rouxinóis gorgolejam versos na calçada”
É assim que se começa a ser feliz.

(Flora Figueiredo)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Canção de inverno



"Winter song"


Sara Bareilles e Ingrid Michaelson



Uma doçura de música, uma doçura de clipe.


Corações






“E me deu o abraço que disparava corações em mim 

como se eu tivesse um em cada nó de veia.”

     
(Tati Bernardi)





quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Fim de papo




    Se você ainda não tem namorado perguntam quando você vai arrumar um homem para chamar de seu, se você está perto dos trinta perguntam quando é o casamento, se você mora em um apartamento alugado perguntam quando você vai comprar a sua cobertura, se você pinta o cabelo de preto perguntam quando vai voltar a ser loira, se você engorda perguntam quando vai emagrecer, se você pinta sua parede de azul perguntam por que você não pintou de amarelo, se você acabou de casar perguntam quando vão ter um bebê, se você acabou de ter um filho perguntam quando virá o próximo (...).


    Acho um absurdo a gente ter que dar satisfação de sonhos e projetos que na realidade são só nossos. Existem coisas que são só suas. Existem escolhas que só pertencem a você. E fim de papo. E fim de jogo. E fim de tudo.



(Clarissa Corrêa)


Ontem estava conversando com uma amiga muito querida 
justamente sobre isso.

Achei este texto da Clarissa muuuuuito legal!





Vida inteira


"Só me resta a vida inteira!"



segunda-feira, 25 de julho de 2011

Feliz por nada (Martha Medeiros)


Geralmente, quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, 
é porque engatou um novo amor, 
conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, 
perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. 
Há sempre um porquê. 
Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, 
mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro
se sentir feliz apenas por atingimento de metas. 
Muito melhor é ser feliz por nada.

Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos
oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. 
Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. 
Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. 
Feliz porque você não magoou ninguém hoje. 
Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir 
e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.

Esquece. 

Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.

Feliz por nada, nada mesmo?

Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. 
Essa tal de felicidade inferniza. "Faça isso, faça aquilo". 
A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, 
que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, 
e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. 
Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. 
Não estando "realizado", também. Estando triste, felicíssimo igual. 
Porque felicidade é calma. Consciência. 

É ter talento para aturar o inevitável, 
é tirar algum proveito do imprevisto, 
é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: 
como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? 
Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.

Benditos os que conseguem se deixar em paz. 
Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, 
que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, 
não se punem por não terem sido perfeitos. 
Apenas fazem o melhor que podem.

Se é para ser mestre em alguma coisa, 
então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. 
De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. 
Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. 
Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?

A vida não é um questionário de Proust. 
Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, 
sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. 
Que mania de se autoconhecer. 
Chega de se autoconhecer. 
Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.

Ser feliz por nada talvez seja isso.

(Martha Medeiros)