terça-feira, 19 de julho de 2011

Sobre as cartas de amor (Clarissa Corrêa)





Dizem que quem fica apaixonado se transforma. 
Pisa nas nuvens, borboletinhas invadem o estômago, 
o coração fica com um sorriso de orelha a orelha, 
o mundo se torna um lugar mais bonito 
e todas as músicas parecem fazer algum sentido. 

Eu concordo.



Esses dias reli uma carta que mandei. 
Era uma carta extensa, que falava dos meus desejos e medos. 
É tão bom quando a gente se livra de qualquer tipo de armadura 
e resolve escutar somente o coração. 
A gente nasce livre, sem qualquer escudo e aos poucos, 
depois das cacetadas da vida, vamos ficando duros. 
Isso me entristece um pouco. 
Sei que faz parte, mas não deixo de ficar triste.



Percebo que as pessoas estão cada vez mais medrosas. 
Guardam o que sentem. 
Se escondem atrás de palavras, atitudes e sentimentos. 
Mostram uma outra pessoa, uma verdade inventada, 
uma pessoa inexistente. 
Pra quê? O objetivo não é ter relações verdadeiras? 
O grande barato da vida não é ter alguém 
pra dividir cada coisinha boa e chata?




Tolos, mostram uma coisa que não são 
e acabam perdendo muito por isso. 
Porque a gente não deve ter a menor vergonha de ser quem é. 
E nem ter medo de mostrar nossos sentimentos mais bonitos.

(Clarissa Corrêa)



Escrevi a minha primeira carta de amor, 
de amor mesmo, em 2005.
Logo eu, tão contida, tão cheia de inseguranças, 
me atirei no misterioso e encantador "precipício" chamado: 
"dizer-o-que-eu-sinto".
Foi uma das melhores decisões que tomei.
Por um pouco de orgulho, por sensatez em excesso,
por medo de encarar o reflexo das minhas emoções 
no espelho e de deixar fluir as palavras e sentimentos... 
por muito pouco,
quase deixei escapar o homem da minha vida.


Ainda bem que (não) fui tola.


" A gente não deve ter a menor vergonha de ser quem é. 
E nem ter medo de mostrar nossos sentimentos mais bonitos."



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