
Na multidão busco meu amor
ainda anônimo
ainda anônimo
seu rosto que não conheço
entre tantos rostos
a voz que acenderá estrelas
e que ainda é uma voz qualquer
Busco meu amor oculto
como em segredo entre as folhagens
e meu coração dispara
a cada indício do seu rastro
Busco o meu amor como a chave
de um castelo
esquecida há milênio
em algum lugar obscuro
do mundo
Busco meu amor desconhecido
como quem busca algodão
num campo imenso
para se forrar por dentro.
(Roseana Murray)
Na minha adolescência, eu tinha mania de ficar olhando
das janelas dos ônibus para a multidão que forrava as ruas da cidade e me perguntar qual daqueles desconhecidos poderia ser o amor da minha vida.
Para minha surpresa, o meu grande amor não estava no meio daquela multidão.
Estava bem distante e viria de longe me encontrar por acaso.
Viria do lado de dentro do ônibus.
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